Saturday, February 14, 2009

Há muito que não escrevo... a minha alma tem estado preocupada com outras coisas, não de maior importância, mas que nos últimos meses têm parecido. Irónico escolher este dia para começar a visitar novamente este espaço.
Estive a fazer um jantar maravilhoso para mim, acompanhado de um belo vinho, e a ouvir um dos álbuns dos Gift. Há muito que não os ouvia. Tenho evitado. Não consigo deixar de associar uma série de coisas a "ele". Os Gift, o Jamaica, a praia de Carcavelos, a Amelie, ... Londres.
Pablo Neruda escreveu que basta um segundo para amar e uma eternidade para esquecer. Tudo isto será associado a ele, por toda a eternidade. Perder-se-á a força, a saudade, o amor, a lembrança, mas haverá sempre uma ligação sempre que ouvir "me, myself and i..."
Questionei-me, muitas vezes, se realmente gostei dele ou se simplesmente gostei da ideia de gostar dele. Hoje sei que gostei... lembro do olhar, do sorriso, dos gestos. Lembro-me de quando ele disse "Gosto muito de ti"; lembro-me de como foi abraçado a mim durante toda a viagem até casa, quando cheguei lá; de como estava feliz. Lembro-me de fazer amor olhos nos olhos. E sei que nunca esquecerei.
E resta agradecer por ter vivido tudo aquilo. E eu agradeço.
Feliz Dia dos Namorados a todos!

1 comment:

CELIAJOAO said...

Que texto tão bonito Carla!
Nota-se a mágoa da separação, mas também a aceitação que era inevitável......
"Pablo Neruda escreveu que basta um segundo para amar e uma eternidade para esquecer."
Esta frase diz tudo...mas não é fácil aceitá-la, muito menos vivê-la!
Tal como escreve Miguel Esteves Cardoso:
"Nascemos todos com vontade de amar. Ser amado é secundário. Prejudica o amor que muitas vezes o antecede. Um amor não pode pertencer a duas pessoas, por muito que o queiramos. Cada um tem o amor que tem, fora dele. É esse afastamento que nos magoa, que nos põe doidos, sempre à procura do eco que não vem. Os que vêm são bem-vindos, às vezes, mas não são os que queremos. Quando somos honestos, ou estamos apaixonados, é apenas um que se pretende.
Tenho a certeza que não se pode ter o que se ama. Ser amado não corresponde jamais ao amor que temos, porque não nos pertence. Por isso escrevemos romances - porque ninguém acredita neles, excepto quem os escreve.
Viver é outra coisa. Amar e ser amado distrai-nos irremediavelmente. O amor apouca-se e perde-se quando quando se dá aos dias e às pessoas. Traduz-se e deixa ser o que é. Só na solidão permanece...O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido..."